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O texto abaixo for escrito em 1994. Eu estava cursando o segundo ano da faculdade de Letras. Isto dito, não é necessário mencionar a fonte de inspiração. Mas literatura, (que atrevido eu sou) é linguagem e linguagem é resultado da interação humana... os livros nos inspiram, entretanto nosso chão de cada dia também deixa levantar sua poeira. Após a leitura deixe seu comentário: se ruim, piegas, trash... não deixe de comentar.


Uma linha

Não! Não senhora.
Nós não estávamos desprovidos senão de apenas dois olhinhos.
Sim. O que mais vi foi o eterno vir mesmo assim desconecto do porvir.
E agora o que interessa, enfim, são como se formaram tão lindos e límpidos em mim.
Peguei um pé, sim, um pé de rosa-jasmim e rasguei o que dela gotejava.
Ficou então pasma olhando a imensidão do Rio. Corria os olhos, sem brilho algum, via aquela entorpecente tarde desfulgurando suas bandeirolas, suaves alamedas cheias de arvoredos, calçadas espaçosas, casarões murmurantes. Folhas secas caídas ao chão misturavam-se com as polidas pedras que perfaziam aquele recanto de lugar onde ela, alegremente, cantarolava e convivia com os seus ternos vizinhos.
Depois peguei meu barco e olhei o Céu, o sol, as estrelas que já despontavam sobre seu cálido mostrador e dei-me a a remar sob seu olhar não menos despido de qualquer sentimento de dor e profunda mágoa. Ficou assim a contemplar o que dela era e as tristes e cálidas, mas válidas idades que por ela um dia se desabrocharam, mergulharam e esvoaçaram sorrisos flértidos de ternura e consternação.
Sim, talvez não seja eu jamais a te ver assim pois, por mim, não que eu não queira ver mais a suave e límpida água que tão cheia de formosura e encanto desce do chafariz a regar os caminhos do meu encanto. Mas vejo-a secar-se e umidar os flancos rostos , que eu jamais beijei pois, por ti, eu sempre jurei, sou agora obrigado a fechá-la totalmente.



São Paulo, 19 de julho de 1994.


Geraldo de Santana Santos

Comentários

  1. bellìssima poesia... como tudo o que vc escreve.
    Eh enriquecedor ler teu blog.
    Beijos.

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Um texto é sempre inconcluso.

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