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“Pense no Haiti, reze pelo Haiti”

Os tremores que devastaram a capital do Haiti nos aproximam tanto do sofrimento daquela gente quanto do show produzido em nome da tragédia. As calamidades trouxeram comoção àqueles que estão distantes na mesma proporção que atraiu para Porto Príncipe uma multidão de businessman. Com todo respeito aos homens e mulheres de boa intenção espalhados pelo planeta terra, nota-se – a partir do noticiado nos jornais, na tv e na internet - a presença de um enorme contigente de pessoas ávidas por extrair algo especial daqueles que estão debaixo dos escombros e dos que perambulam sem destinos, ou fazendo saques, pelas ruas da cidade.
Voltemos no tempo e ao texto bíblico de Marcos 5.24-25: a mulher do fluxo de sangue, para parafrasear o que ocorre pelas rua de Porto Príncipe. Ali, o que é que sugere “tocar as vestes e ficar curada”? Se toda a comunidade internacional se retirar daquele lugar não vai haver quem socorra os feridos, você poderá argumentar. De que modo aqueles que estão presos debaixo dos escombros poderão sobreviver? É justo o seu pensamento. Então, vamos promover um show/espetáculo com renomados artistas internacionais e em diversas partes do globo em benefício do povo haitiano. Com os recursos arrecadados será criada uma efetiva ajuda humanitária. Não será melhor nos postarmos todos juntos e, ao som de “Mais perto quero estar” de Sarah Flower Adams, mergulharmos numa imagem/viagem semelhante àquela do filme Titanic quando todos, sem chances de receber socorro, aguardavam o afundamento de parte da embarcação?
Em absoluto, você acredita na manifestação hollywoodiana em torno de Port au Prince e sua população faminta – de víveres, habitação e afeto?

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