Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Agosto, 2010

A escola

Sinceramente ainda não fui assaltado por essa ideia de ter que gostar mais de um professor do que de outro: havia uma história gigantesca sobre o significado de ir para a escola. Sou baiano de uma cidade no oeste do interior do estado de nome Paratinga. Hoje deve ter aproximadamente trinta mil habitantes. Mas há vinte e dois anos atrás tinha menos moradores. Iniciei meus estudos em uma escola pública estadual. Em seguida fui para o “ginásio” através de uma bolsa de estudos. Não havia ensino de quinta ao terceiro ano do ensino médio público. Conclui a educação básica com habilitação em Magistério. Era tudo que o lugar podia oferecer para todos os jovens, principalmente aqueles sem condição financeira.
Digo isto, para refrescar minha memória e não ter que me punir procurando um professor chato, ruim, etc. Ir para a escola era muito bom para mim e para os meus colegas. Ali não havia merenda gratuita, aliás até a meia o inspetor verificava. Se não tivesse com o uniforme completo d…

Infância e escola

A trajetória, de cada pessoa especificamente, é marcada pela memória que temos da infância: melodias, aromas, recordações gustativas; festas, as pessoas – crianças e mais velhos com os quais convivíamos - brincadeiras, alegorias e afazeres domésticos. A escola que frequentamos: o percurso de casa até aquele enorme de madeira. No retorno para casa, os estabelecimentos comercias que estavam fechando; os colegas, as brigas de meninos: o menino da sala que tinha um irmão mais velho, valente, capaz de brigar com qualquer pessoa. As colegas, o interior do prédio. A parte que mais me encantava era o pátio com seus enormes manguezais. Ao lado o muro do hospital.
No poema de Cora Coralina impressiona-me o poder da palavra. Quer dizer, a arte, aqui especificamente a Literatura, nos permite reconhecer que esse saber faz parte de nosso legado, coletivo e individual o qual aponta, dignamente, para os meus antepassados e permite-me prospectar o futuro. O processo de escolarização contribui …

Vozes

O álbum “Felicidade guerreira” do quarteto A Quatro Vozes é, ao mesmo tempo, um registro histórico, uma inovação e uma boa dose de independência cultural. É histórico porque possibilita o exercício de imaginação do que foi mutilado da cultura dos homens e mulheres negros que vieram do continente africano como escravos. Este traço está presente nas melodias e letras que, intencionalmente, retratam o triunfo de poder desfrutar a liberdade do quilombo em oposição à senzala; a transição do regime de escravidão “encarcerado” para a servidão na condição de bóia fria. Constitui-se um trabalho de inovação porque transita com firmeza e elegância pelas vibrantes notas musicais de sagrados compositores negros tanto brasileiros quanto bluesmen e jazistas norte americanos. Mas não fica atolado nem lá, nem cá. Foge dos rótulos quando toma por empréstimo canções de domínio público - algo que já é seu – sem, contudo, autodenominar-se representante do cancioneiro popular nacional.
Ouvir cada mú…