Pular para o conteúdo principal

A escola

Sinceramente ainda não fui assaltado por essa ideia de ter que gostar mais de um professor do que de outro: havia uma história gigantesca sobre o significado de ir para a escola. Sou baiano de uma cidade no oeste do interior do estado de nome Paratinga. Hoje deve ter aproximadamente trinta mil habitantes. Mas há vinte e dois anos atrás tinha menos moradores. Iniciei meus estudos em uma escola pública estadual. Em seguida fui para o “ginásio” através de uma bolsa de estudos. Não havia ensino de quinta ao terceiro ano do ensino médio público. Conclui a educação básica com habilitação em Magistério. Era tudo que o lugar podia oferecer para todos os jovens, principalmente aqueles sem condição financeira.
Digo isto, para refrescar minha memória e não ter que me punir procurando um professor chato, ruim, etc. Ir para a escola era muito bom para mim e para os meus colegas. Ali não havia merenda gratuita, aliás até a meia o inspetor verificava. Se não tivesse com o uniforme completo deveria voltar para casa. Mas na escola tinha um auditório imenso, o eco, o tamanho do palco... a biblioteca muito instigante: o que havia atrás das prateleiras... Os professores, muitos eram ex-alunos com algum padrinho político que oS indicava para o cargo: não era gente formada no ensino superior. Era gente que acreditava que estava fazendo o correto com o apoio dos pais, dos políticos, etc.
Lembro-me da professora de Língua Portuguesa: era muito severa, intransigente. Não havia espaço para diálogo, porque não aprendeu essa atividade, não fez o exercício, a pesquisa? Chama a mãe. Era, contudo, uma escola excludente. Não tolerava os fracos – financeira e cognitivamente. Tudo isto no papel do professor.
Lembro-me também do professor de OSPB. Esse sim,recém – formado em História na capital. Era o ano de 1986. Dois anos antes a cidade passara a ter luz elétrica. Lembro-me de um tema discutido em sala: transição. O processo político, as eleições para governador do estado [Waldir Pires, do PMDB saindo regime, militar], o município, o Brasil em transição. Nossos corpos... em transição. Isto era mais fácil de perceber. Aquele professor marcou-me o período que passei no ensino médio.
Quando decidi fazer Letras, muitas vezes me imaginava lá em minha terra, na sala de aula... Afortunadamente tive um professor de Literatura, na faculdade, com os mesmo traços que aquele de História. Não tive como não gostar do magistério. Tive, em casa, minha mãe alfabetizadora do Mobral. Não dava para nem para posicionar-me contra o professor. Quando concluí o magistério recebi, juntamente com meus colegas de turma Educação e mudança: Paulo Freire. Isto explica porque não havia espaço para não valorizar até os defeitos da escola.

Comentários

  1. é uma viagem este teu blog... como faz vc a trazer-me à memòria tanta coisa???
    E eu q me sentia a propria vira-lata das memorias...
    Deveria fazer mais publicidade deste material!
    Beijos.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Um texto é sempre inconcluso.

Postagens mais visitadas deste blog

Sampa pela Copa

Publicação by São Paulo City.


Isto é quase, bem próximo, do que é a real cidade de São Paulo. Subúrbio é um termo apreciado pelos franceses. Não é exclusivo do idioma, vem do latim,  mas é um vocábulo que identifica o que existe em torno da cidade. Assim, não há, no vídeo, o subúrbio com seus vários sorrisos. Acho que a criatividade cairia muito bem na periferia do poético show de imagens.


São Paulo,
a cidade com suas cidades,
sonoras vaidades,
idade  da modernidade
afinidade com identidade
de todos os cantos.
Quem te vê
não cabe a vida em uma única cidade.

Todo homem nordestino é rude!

Economia crescente, investimentos públicos, transferências de plataformas operacionais de companhias consolidadas no eixo sul/sudeste em sintonia com programas de distribuição de renda fazem com que cidades como Salvador inaugurem três grandes shoppings no período de 6 anos. Isto sem falar no número de edifícios residenciais e comerciais no mesmo período. Para efeito de ilustração nem a gigante Casas Bahia tinha loja na capital baiana em data anterior ao ano de 2006.


No interior, da Bahia, num povoado qualquer, uma enfermeira [graduada em 2009] dirige o Programa Saúde da Família no posto de saúde local. Ela, um médico, um dentista e mais um bom punhado de agentes comunitárias cobrem toda a área. Funciona assim: todos os moradores da região – algo em torno de três mil e quinhentas pessoas – estão cadastrados; a agenda do posto está distribuída de maneira que, em cada dia da semana, um segmento da população é atendido. O conceito é o de medicina preventiva. Casos graves são encami…

“A antiga e a moderna cruz.”

“A antiga cruz não faz trégua com o mundo . Significa o fim da jornada para o orgulho adâmico. Na prática, ela constituiu a aplicação da sentença prescrita pela lei do Sinai. Já a cruz moderna não faz nenhuma oposição à raça humana; antes é companheira, amiga, e , se encarada corretamente, oferece-lhe divertimento bom e agradável, uma alegria inofensiva. Ela não afronta absolutamente as inclinações de Adão.”
A.W. Tozer. “A antiga e a moderna cruz.”