domingo, 22 de agosto de 2010

A escola

Sinceramente ainda não fui assaltado por essa ideia de ter que gostar mais de um professor do que de outro: havia uma história gigantesca sobre o significado de ir para a escola. Sou baiano de uma cidade no oeste do interior do estado de nome Paratinga. Hoje deve ter aproximadamente trinta mil habitantes. Mas há vinte e dois anos atrás tinha menos moradores. Iniciei meus estudos em uma escola pública estadual. Em seguida fui para o “ginásio” através de uma bolsa de estudos. Não havia ensino de quinta ao terceiro ano do ensino médio público. Conclui a educação básica com habilitação em Magistério. Era tudo que o lugar podia oferecer para todos os jovens, principalmente aqueles sem condição financeira.
Digo isto, para refrescar minha memória e não ter que me punir procurando um professor chato, ruim, etc. Ir para a escola era muito bom para mim e para os meus colegas. Ali não havia merenda gratuita, aliás até a meia o inspetor verificava. Se não tivesse com o uniforme completo deveria voltar para casa. Mas na escola tinha um auditório imenso, o eco, o tamanho do palco... a biblioteca muito instigante: o que havia atrás das prateleiras... Os professores, muitos eram ex-alunos com algum padrinho político que oS indicava para o cargo: não era gente formada no ensino superior. Era gente que acreditava que estava fazendo o correto com o apoio dos pais, dos políticos, etc.
Lembro-me da professora de Língua Portuguesa: era muito severa, intransigente. Não havia espaço para diálogo, porque não aprendeu essa atividade, não fez o exercício, a pesquisa? Chama a mãe. Era, contudo, uma escola excludente. Não tolerava os fracos – financeira e cognitivamente. Tudo isto no papel do professor.
Lembro-me também do professor de OSPB. Esse sim,recém – formado em História na capital. Era o ano de 1986. Dois anos antes a cidade passara a ter luz elétrica. Lembro-me de um tema discutido em sala: transição. O processo político, as eleições para governador do estado [Waldir Pires, do PMDB saindo regime, militar], o município, o Brasil em transição. Nossos corpos... em transição. Isto era mais fácil de perceber. Aquele professor marcou-me o período que passei no ensino médio.
Quando decidi fazer Letras, muitas vezes me imaginava lá em minha terra, na sala de aula... Afortunadamente tive um professor de Literatura, na faculdade, com os mesmo traços que aquele de História. Não tive como não gostar do magistério. Tive, em casa, minha mãe alfabetizadora do Mobral. Não dava para nem para posicionar-me contra o professor. Quando concluí o magistério recebi, juntamente com meus colegas de turma Educação e mudança: Paulo Freire. Isto explica porque não havia espaço para não valorizar até os defeitos da escola.

Um comentário:

  1. é uma viagem este teu blog... como faz vc a trazer-me à memòria tanta coisa???
    E eu q me sentia a propria vira-lata das memorias...
    Deveria fazer mais publicidade deste material!
    Beijos.

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Um texto é sempre inconcluso.