domingo, 26 de setembro de 2010

" Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça" Jo 7:18

“Sou um homem doente... Um homem mau. Um homem desagradável. Creio que sofro do fígado. Aliás, não entendo níquel da minha doença e não sei, ao certo, do que estou sofrendo. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os médicos. Ademais, sou supersticioso ao extremo; bem, ao menos o bastante para respeitar a medicina. (Sou suficientemente instruído para não ter nenhuma superstição, mas sou supersticioso.) Não, se não quero me tratar, é apenas de raiva. Certamente não compreendeis isto.”
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Memórias do Subsolo. São Paulo: Editora 34,2000, p.15



Neste momento da história brasileira, tomo parte do processo político eleitoral, além do voto, ao enunciar-me como cidadão a quem não é vedada a garantia constitucional de manifestar sua opinião. E, ao fazer isto, não posso insurgir-me contra a lei: o anonimato me é vedado.
Tem havido uma crescente onda de desmoralização, injúria e, sobretudo, calúnia - reportagens revestidas de conclusão judicial, sem contudo passar pelo crivo das instâncias jurídicas ou a apresentação do contraditório pela outra parte.

Não quero posicionar-me cegamente favorável ao Partido dos Trabalhadores. Segundo os veículos de comunicação, a CGU, Polícia Federal e Ministério Público Federal tem havido denuncias e apurações dos casos apresentados. Por isso, constata-se erros significativos na conduta de membros do poder executivo assim como também houve, na gestão, em esfera federal, do PSDB, mas que não recebem, neste momento, o mesmo tratamento dado àqueles fatos julgados como provenientes do PT. Por exemplo, nos endereços abaixo, há denúncias de uma série de problemas legais relacionados à gestão do PSDB no governo do Estado de São Paulo.

Fora dos grandes veículos de comunicação em massa, há algumas referências religiosas sugerindo hecatombe caso a sra. Dilma Roussef, “atéia, comunista”, seja eleita. Penso que existem pessoas posicionando-se contra a impunidade tomando a Bíblia, como referência. Portanto o recorte que tomam é:
1.Ao fazerem isto, tomam a Palavra de Deus como medida ou como pretexto para suporte de suas convicções ideológicas, individuais?
2.Tem os textos do evangelho como parâmetro para a indicação de candidatos de uma corrente política ou eles o são para as ações de todos os gestores públicos nos três níveis da administração: municipal, estadual ou federal?
3.A condenação é por atos {de corrupção, leis desumanas, assédio moral, cooptação} de abandono ao pobre, à viúva e ao órfão?

É conhecida por todos senão por grande maioria dos ocidentais o relato das cidades de Sodoma e de Gomorra. [ Gen. 18.16 – 19.29]. A compreensão que temos desse texto, imediatamente, volta-se para o campo da depravação sexual: prostituição, homossexualidade, etc. De fato, são cidades imediatamente identificadas por esses pecados porque este o relato do início da ação de Deus: o anjos visitam a casa de Ló com a intenção de retirá-lo do lugar. Mas se você fizer uma leitura do texto do Profeta Ezequiel [16.49-50] terá o mesmo episódio abordado dentro de um contexto mais amplo. A constatação que faz o profeta não é a mesma que nós , século XX, XXI. Quer dizer, não é só a impureza sexual, mas “Estes foram os pecados de Sodoma, sua irmã: orgulho, preguiça e desprezo aos pobres e necessitados, quando ela tinha riquezas e alimento de sobra. 50 - Foram muito atrevidos os moradores de Sodoma. Mesmo sabendo que Eu observava sua vida, eles se entregaram à imoralidade. Foi por isso que Eu destruí completamente aquela cidade!” (Bíblia Viva)
Observe mais uma vez o mesmo texto na versão Almeida Fiel: “Ez. 16:49 Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado. Ez 16:50 E se ensoberbeceram, e fizeram abominações diante de mim; portanto, vendo eu isto as tirei dali.”

Faz-se, neste contexto bíblico, a leitura do candidato ideal? Marcha-se na direção da ética estabelecida pela Palavra de Deus ou na inscrição de código de ética própria para as circunstâncias? E as circunstâncias não são tão benevolentes o quanto se pensa ser. A Igreja Católica, a cuja afiliação identitária muitos discursos evangélicos associam-se neste instante, não se inscreve portadora da ética que o Profeta Ezequiel conclama. Lembra-se dos inúmeros casos de pedofilia registrados pela imprensa europeia e norte-americana? Os milhões de dólares que pagaram perante os tribunais como indenização? Ou o mote ideológico é o mesmo tomado por um grupo de religiosos norte-americanos que encontrou pretextos "cristãos" para referendar a invasão ao Iraque. É o mesmo mote registrado pela história para justificar a escravidão de negros no continente africano nos séculos XVII a XX? Mudamos de lugar geográfico, mas não mudamos o apelo.

Minha opção, sem hipocrisia, é de pedir misericórdia, não julgar, e, sobretudo, não apoiar um discurso simplista, baseado em opções pessoais.



http://www.papillon.blog.br/2010/09/25/serra-aloysio-e-o-escandalo-da-casa-civil-que-a-midia-esconde/
http://www.istoe.com.br/reportagens/95231_UM+TUCANO+BOM+DE+BICO http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u475029.shtml; http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u724230.shtml.

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