segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O que escrevemos, o que somos: nada.

O que escrevemos, o que somos: nada. O que escrevemos ou falamos é resultado das leituras e audições que ouvimos. Augste Comte (1798-1857) conjectura que o homem é produto do meio, portanto está encerrado o equívoco “tive uma ideia!”. Quem canta “Feliz aniversário”, o faz não porque tenha, em dado momento presenciado seu nascimento, mas porque ouviu falar que é aniversariante naquela data.
Notou bem? “ouviu falar” ou leu em algum “testemonial” sobre seu níver. Poucas pessoas presidiram sua data de nascimento. Por circunstâncias inúmeras, estavam presentes, naquele dia, apenas algumas pessoas: como você pode justificar a imensa quantidade de presentes que ganhara no dia de seu casamento? É resultado de escolhas que você fez. Não se esqueça daquela vizinha de tua mãe: - Como cresceu, ainda ontem eu estava com você no colo! E aquela tia: Cuide bem de minha menina, eu dei o primeiro banho!
Pra que lembrar da data de casamento? Pelo andar da carruagem, muita coisa em nossa vida foi pro ralo do imprevisível? Quase! Ainda hoje eu conversava com uma amiga e, lá pelas tantas, ela soltou algumas de suas pérolas.
- Fulana era apaixonada por aquele menino, mas ele, metido a galã, paquerava outra
pessoa. E Andreia que gostava de Carlos?
Algumas exceções, uma em um milhão, é que se concretizaram. As demais foram parar nos registros das doces memórias da adolescência. O que escrevemos ou que somos: nada. É resultado, não raso, das leituras e audições que fazemos. Percorremos determinadas trilhas sonoras singulares ao plano inicial que havíamos traçado.
Devemos ter planos, sonhos, mas existe um mistério, também singular, que nos leva a celebrar cinquenta anos de aniversário de casamento de y e x; o diploma de formatura do amigo de infância.
Para que escrevemos, então? Por que falamos de nossas doces memórias?
O Senhor agrada-se dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia.” Salmos 147.11



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