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Todo homem nordestino é rude!

Economia crescente, investimentos públicos, transferências de plataformas operacionais de companhias consolidadas no eixo sul/sudeste em sintonia com programas de distribuição de renda fazem com que cidades como Salvador inaugurem três grandes shoppings no período de 6 anos. Isto sem falar no número de edifícios residenciais e comerciais no mesmo período. Para efeito de ilustração nem a gigante Casas Bahia tinha loja na capital baiana em data anterior ao ano de 2006.


No interior, da Bahia, num povoado qualquer, uma enfermeira [graduada em 2009] dirige o Programa Saúde da Família no posto de saúde local. Ela, um médico, um dentista e mais um bom punhado de agentes comunitárias cobrem toda a área. Funciona assim: todos os moradores da região – algo em torno de três mil e quinhentas pessoas – estão cadastrados; a agenda do posto está distribuída de maneira que, em cada dia da semana, um segmento da população é atendido. O conceito é o de medicina preventiva. Casos graves são encaminhados para o hospital local (do município).


Um dado curioso tem saltado aos olhos daquela jovem. Ela notou, a partir das informações coletadas, que todas as crianças participantes do Bolsa Família estão com peso melhor do que aquelas outras não participantes. A dinâmica do programa requer da família vacinação atualizada bem como presença em sala de aula. A visita ao Saúde da Família se dá por conta da vacinação ou porque naquele dia da semana é o dia agendado para atendimento às crianças. Nesse momento a equipe registra peso, estatura e constrói o histórico daquela criança conferido em toda visita.


Enquanto os coronéis do antigo nordeste faziam uma política na base do toma lá da cá, cabresto, irrigação de seus feudos e outros adjetivos, os atuais governadores da região têm convicção de que não podem errar nada, em absoluto. Se fizerem a leitura de que a reeleição ou a eleição do sucessor é o extremo sucesso, nas próximas eleições, serão arrancados dos palácios e gabinetes sem dó nem piedade. O eleitor não é mais atraído pelo discurso vazio que dizia ser aquele político o maior representante do estado, “o único que sempre lutou...” Todos os que assim fizeram entraram em rota de colisão. Basta observar o resultado das urnas no último pleito.


Tem muito veículo de comunicação que vai perder o momento histórico do norte / nordeste porque seu olhar foi domesticado para enxergar comida e música exóticas; crianças subnutridas; moças “coitadinhas” prontas para o serviço doméstico; generalizado atraso educacional e, sem exceção, todo Homem nordestino é rude [Rigoroso, severo, intransigente]. “Bom e civilizado é o moço do sul. Lá é o Brasil verdadeiro porque existe uma locomotiva de vento em popa”. Mais quatro ou oito anos o fluxo de turistas terá destino diferente do que existe hoje.



O que está mudando no nordeste não é só a economia ou os indicadores de emprego: a autoestima do homem e da mulher nordestinos está muito mais elevada do que qualquer índice de desenvolvimento regional.

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