domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estupro de homens e mulheres

Sol com ascendente no dinheiro público, torturas e massacre de inocentes nos hemisférios norte e sul combinando com a face oculta da lua dos países ricos, indica que o momento é favorável às mudanças.


As nações ricas do Ocidente e Oriente sempre deram um jeitinho de esconder a verdadeira natureza da miséria nos chamados países pobres, muito pobres e miseráveis. Os ricos, muito ricos, sempre apresentaram a receita para envio de donativos, condução de projetos sociais e até cálculos para erradicação da miséria. A receita está prontinha, pintada pelas imagens dos astros do cinema e dos esportes, embalada por músicas compostas e cantadas por gente afinada e badalada nos quatro cantos do planeta. Dias, semanas, meses, anos e décadas depois das cantorias, exibições, aparições sensacionalistas e adoção de crianças esquálidas, tudo permanece como antes: nenhuma mudança.


Mais shows, gritaria, estupros de homens e mulheres nas guerras motivadas pelo ódio religioso, étnico e econômico não são capazes de exterminar o sofrimento de milhares de vítimas inocentes e indefesas. A mecânica de opressão opera em sintonia com dois aparentes opostos - fome e concentração de riqueza.


O receio dos ricos, muito ricos, é o de que não existam mais miseráveis e, assim, eles, ricos, muito ricos, não tenham para quem exibir seu “lado bom”, o “bom-mocismo” que circula pelas veias de... alguns iluminados. Homens e mulheres vestidos de uma candura desigual entre os demais seres da raça circulam pelos mais badalados palácios em busca de recursos para aplacar a miséria dos outros... quase humanos. Quase humanos, porque agora eles, os dotados de alma desprendida de qualquer apego materialista, mas com trânsito livre entre os ricos e endinheirados do planeta – porque também é endinheirado – passa uma sacolinha para arrecadar fundos para aqueles meninos e meninas vítimas da miséria que assola os países subdesenvolvidos com governantes tiranos, déspotas, etc., etc.


Entretanto, quando cai um faraó aparece a nudez do mundo rico: o faraó só consegue ser um tirano e governar durante trinta, outros até quarenta e cinco anos consecutivos, porque existe alguém alimentando com muito dinheiro regimes ditatoriais que solapam as riquezas naturais de países e continentes rotulados de pobres. São mantidos no poder (promovendo assassinatos de dissidentes, desafetos políticos; genocídios e torturas) para ocultar o repasse dos recursos para quem por tais recursos pode pagar, mas prefere aumentar sua riqueza explorando seu semelhante. Por exemplo, agora que H. Mubarack foi deposto pelo grito do povo, os “países civilizados” vão bloquear os bilhões de euros que ele depositava nos bancos europeus. Ninguém sabia disto. Só agora descobriram por ação do wikileaks! Vão devolver o dinheiro ao povo egípcio ou farão ressarcimento àqueles que patrocinaram sua ditadura durante décadas?


Não há pobreza porque as pessoas sejam desprovidas de recursos, mas porque existe alguém que põe em funcionamento o mecanismo da miséria – através do suborno, assassinatos e saques – em nome do combate ao terrorismo, ao fanatismo religioso, ao eixo do mal.


Após os eventos que culminaram nas mudanças em curso na Tunísia e Egito, aqueles que governam estão em dúvida sobre sua continuidade no poder. Começaram a chacoalhar Berlusconi. Dizem que H. Chaves já manifestou sinais de “semancol” quando ouviu notícias dos gritos na praça Tahir. Não há exércitos cercando palácios, mísseis nucleares direcionados para esta ou aquela cidade: não é possível silenciar o clamor das dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças oprimidos pela fome, violência, miséria e corrupção.


Por essa mudança repentina – sem canhões ou baionetas – ninguém esperava. [“os filhos de Israel gemiam sob a servidão e por causa dela clamaram, e o seu clamor subiu a Deus. (…) e viu Deus os filhos de Israel e atentou para a sua condição.” Êxodo 2.23,25]

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