domingo, 1 de maio de 2011

Máquina para moer gente

Nós, professores e professoras, profissionais do ensino, não temos utilizado a Educação como ferramenta para denunciar à sociedade o sistema econômico e social que, diariamente, deixa de lado o cumprimento de suas funções básicas para atender, como prioridade, as exigências e interesses de grupos sociais detentores do capital e do poder. Isto é visível quando não são executadas as determinações previstas em lei no tocante à educação básica – ensino fundamental e médio. Aos filhos dos pobres e excluídos são lhes oferecidas salas de aula superlotadas; improvisadas e duvidosas concepções pedagógicas; prédios com espaços incompatíveis do ponto de vista arquitetônico, acústico e de iluminação (há escolas públicas nas quais a alcunha de presídio só não é mera figura retórica em virtude da ausência de elementos outros que caracterizam cadeias e institutos de detenção); material didático adquirido sem cumprir os ritos da legislação no que tange aos processos de licitação; plano de carreira ofensivo à dignidade do trabalhador; população em idade escolar deslocada para unidades escolares distantes de sua residência; crianças e jovens com dificuldades cognitivas não acompanhadas de forma adequada e, entre tantas outras marcas de descaso, demora para executar medidas simples mas eficientes como exame oftalmológico para alunos e alunas com queixa de dificuldade visual dentro das salas de aula.

Não nos movemos contra essa lógica perversa que oprime, escraviza e exclui o indivíduo da classe popular. Sobretudo, nos calamos diante dos especialistas besuntados pelo perfume dos organismos estrangeiros agindo em nome dos bancos e conglomerados exploradores de mão de obra desqualificada. Nos curvamos perante as bestas-feras comerciantes de livros didáticos. Quando não fazemos isto, somos mudos e cegos em frente às gôndolas de diplomas do ensino superior.

Em pleno vigor do modelo econômico neoliberalista, que prega aos quatro ventos a necessidade de desregulação do mercado econômico; flexibilidade total das leis trabalhistas e privatização de todos os serviços públicos, nos deparamos, nas salas de aula dos grandes centros urbanos e até mesmo de pequenas cidades, com crianças e jovens cujos pais necessitam trabalhar mais para atender as necessidades de consumo irrigado pelos meios de comunicação de massa. Não é necessário, nem possível, condenarmos a evolução tecnológica. Por meio meio da robótica, torna cada vez menor o número de operários na linha de produção tanto no campo quanto na cidade. O que não podemos é achar que quanto mais o estado democrático ausentar-se de suas obrigações as “pessoas de bem” somarão esforços para mitigar as necessidades dos menos favorecidos. Não se fala de corrupção dentro de uma empresa de capital privado – grande ou pequena - mas do ente privado corrompendo o público. Os recursos destinados por lei para saúde, comunicação, educação, transporte, etc. são alvo constante de grupos privados nacionais e estrangeiros. Não podemos entender que deva existir voluntariado para pintura e reformas de prédios escolares: parte do PIB já fora direcionada para isto. Se a unidade escolar ou unidades não têm a devida manutenção é porque o dinheiro foi para outro lugar. Não há professor com remuneração precária porque não há verbas. Elas foram remanejadas ou alocadas para outras áreas, sob as barbas da lei, para fins que o governante, com anuência do legislativo e do poder público assim permitiram. “Ou vivemos todos juntos como irmãos ou morremos todos juntos como idiotas!” M. Luther King

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