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Mostrando postagens de Setembro, 2011
A seca, a fome, a nudez e o abandono
“Não chore, não corra, não grite. É assim mesmo. Acontece todos os anos. Sempre ouvimos falar, vemos os vídeos, as fotografias são contundentes. Ninguém pode fazer nada. É um fenômeno da natureza, não é? Assista sempre as reportagens na televisão e você vai notar que o assunto é o mesmo. Aliás, os jornalistas são muito corajosos, deixam esposa/o filhos para mostrar o que está acontecendo pelo mundo. A gente tem que se conformar.”
O relato acima é ficcional, mas com um pouco de paciência, poderia ser extraído em qualquer desses encontros matinais numa padaria, na fila do hospital, agência bancária... tanto numa metrópole quanto numa pacata cidade interiorana. Há um torpor que se limita com o resíduo de uma anestesia que reluta em ser eliminada através da urina, das fezes, pelo suor... Ela insiste em habitar num organismo que lhe fora concedido provisoriamente. As retinas estão “coladas”, engessadas, o sistema auditivo, ao longo da cirurgi…