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Nós e Eles




Esse eles é uma referência aos E.U.A. e o nós, aos brasileiros. A condição econômica, organização da sociedade – ocupação geográfica – o desenvolvimento cultural e tecnológico e o “way of life” como sonho de consumo, aspiração de realidade.

Com frequência ouvimos de pessoas, comuns e daqueles mais abastados, reclamações, murmúrios de coisas banais como a compra de um aparelho de TV, acesso a internet, qualidade da educação; o preço e a qualidade dos veículos fabricados no Brasil e tantas outros quesitos do cotidiano. Até é possível lembrar o slogan “quem compara compra melhor”. É assim que aparece a sugestiva ideia quando olhamos os dois países localizados nas extremidades do continente americano. Mas, os irmãos do norte levam vantagem, no sentido de ter coisas muito melhores que nós do sul e, sobretudo, latinos?

Seria tristeza gigantesca se parássemos, para consultar, conferir apenas nossas conquistas. Nosso olhar para o exterior, a aparência, dos estadunidenses é motivado pelo desejo de termos, consumirmos os bens que eles esbanjam ter com um ar de desapego, trivialidade. É assim que o cinema vai construindo a imagem de rapazes, moças, artistas ou intelectuais, executivos que arriscam deixar tudo – valores e princípios modestos, recatados; imagem de quem é “caipira”– e vai viver na Quinta Avenida, “nas imediações do Central Park”. Lembra-se da personagem assistente de Miranda Priestly, reverenciada editora da revista Runway Magazine? Abaixo dos trópicos, nós tentamos montar essa avenida no traçado da Avenida Paulista e o seu Ibirapuera, algumas quadras abaixo para quem está na Avenida Brigadeiro Luís Antônio – lá vem o nome “Brigadeiro” – como uma referência ao novaiorquino Central Park.

Com muito pesar eles não conseguem domar a fúria que faz jovens ou adultos destruir, em poucos minutos, vidas inocentes abrigadas, principalmente em escolas e faculdades. Sem praguejar, como procuram responder e intervir nessa intricada cilada é o mesmo que nós estamos nos propondo a responder quando deparamos-nos com a morte de jovens brasileiros, o desprezo aos estudos, a clássica vantagem em tudo e a bestial adoração ao consumo – apenas consumidor. Nada mais. Nós e Eles. Eles e Nós.


IBGE: A maior parte das mortes entre os jovens brasileiros é provocada por causas não naturais, ou seja, poderiam ser evitadas.

Enviado por Fernando Moreira – 17.12.201210h56m Jornal põe anúncio de venda de armas ao lado de notícia de massacre
oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2012/12/17/jornal-poe-anuncio-de-venda-de-armas-ao-lado-de-noticia-de-massacre-479206.asp

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