quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Sou professor ou sou filho de professor

Ouvi de uma senhora não alfabetizada que falar em educação e saúde é uma coisa que os políticos falam para os pobres, principalmente perto de campanha eleitoral.  Depois disto os interesses dos ricos políticos é o que mais aparece no noticiário: aumento de salários, verba de gabinete, combustíveis e passagens - além de assessores.
Todo candidato (a governador, deputado, vereador)  tem pronta a primeira parte da resposta sobre o tema Educação: “Sou professor, professora  ou sou filho ou filha de  professor/a: sei muito bem o que é levar atividades para corrigir em casa.” Pronto, brilhante! Notem, tudo o mais nessa área se encerra após a recitação do mantra acima  com acenos de que já “achamos a resposta para o problema”.  Contudo, nenhum deles leva adiante um programa ou o programa de candidato (quando o tem).    

Por que tantos projetos eloquentes não funcionam, são abruptamente interrompidos ou abandonados? As verbas faraônicas não chegam em sala de aula? Décadas de redemocratização do país e os resultados continuam os mesmos. Os índices de aproveitamento dos concluíntes caem ano após ano.
No campo da educação, e também das outras áreas, mas principalmente da educação, o professor não é ouvido em sala de aula - o que se conhece é o relatório de uma consultoria, contratada a peso de ouro, mostrando o que deve ser feito para melhorar (obviamente os interesses de quem ela e seu contratante representa). No mais, são anos e mais anos de pouco caso.
Os projetos e planos não contagiam os professores porque não parte deles: não são, na pratica, parte significativa do problema  ou importante  para resolver o problema. Será mesmo que eles são preguiçosos como os relatórios das "consultorias" fazem crer que o são? Quem é consultado para elaborar propostas para atender a demanda educacional do menino e da menina da região metropolitana? Quem é consultado para elaborar propostas para atender a demanda educacional do menino e da menina da cidade distante seiscentos quilômetros do polo industrial? A medicação é a mesma, não importa se aquela criança fica o dia inteiro na creche porque sua mãe trabalha ou se é de uma cidade pequena na qual a oferta de emprego não interfere diretamente na presença do responsável ao ponto deste participar efetivamente da vida escolar inclusive levando-o todos os dias   à escola.

Alguém já investiu na educação como os países nórdicos fazem ou não é melhor copiar os programas (de editores/fabricantes) bancados pelo banco mundial? Aliás, porque na proposta de governo o tema educação é lindo e, quando eleito, o tratamento dado é para o programa das fundações – também chamadas ONG’s.  O que se ouve é “captação de recursos do fundos de investimentos de bancos.” Quando eleito a preocupação é com a educação do tipo linha de produção: reduzir custos, enxugar a máquina;  fechar salas de aulas.

O que queremos é educação de qualidade para a maioria da população ou para alguns membros da população - aqueles que não estão em salas superlotadas, têm professores com mestrado e doutorado ainda no fundamental II? Ou os filhos de avós professores cujo pai agora é deputado, senador, prefeito...



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